À continuação do já informado no post anterior, o livro Palavras em Tons de Azul - Partilhar palavras antes que o vento as leve, já foi editado e está desde agora disponível para compra na plataforma da Bubok.
Hoje é sem dúvida um dia importante, que marca a chegada de uma viagem muito interessante, deixando escrito e gravado para a posteridade, as palavras que fui partilhando com quem me acompanhou ao longo destes 8 anos de actividade deste blogue, e a quem eu estou grata.
Palavras em Tons de Azul - Partilhar palavras antes que o vento as leve, pode ser adquirido online por este link, o qual ficará também, em permanência na aba deste blogue intitulada "Compre os meus livros AQUI" Um grande bem-haja a todos por esta fantástica viagem.
Informo os meus estimados leitores que este blogue iniciado em 8 de Abril de 2008 vai sofrer alterações, para que os meus escritos sejam tornados na realidade de um livro que ficará para a posteridade.
Assim, e para não haver problemas de direitos de autor, as 137 entradas que aqui foram partilhadas ao longo destes anos, quase todas, serão removidas do blogue e darão entrada no livro com o nome do mesmo.
Em breve, o livro Palavras em Tons de Azul em papel e eBook será uma realidade e este blogue ficará, como recordação, com o link da venda do livro, onde cada um que assim desejar poderá aceder à compra directa do mesmo em papel ou eBook.
Desde já, gostaria de agradecer a todos que aqui me acompanharam e leram ao longo destes oito anos, desde a Russia (os meus maiores leitores) de seguida Estados Unidos da America, Portugal (o meu país em 3º lugar do pódio), China, Espanha, Taiwan, Alemanha, Suiça, Holanda, Inglaterra, Colômbia, França e tantos outros que contribuíram para as 32.452 leituras desde 2008.
Neste Dia Mundial da Poesia calo as minhas palavras e faço
homenagem a uma Poetisa de quem gosto partilhando um poema dos seus poemas que
me tocam de forma especial.
Para Atravessar Contigo o Deserto do Mundo
Para Atravessar
Contigo o Deserto do Mundo
Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Livro Sexto”
Não dou
de todo importância a estes dias internacionais de qualquer coisa e já
mencionei esta minha opinião aqui. Para mim, não fosse a máquina comercial
instalada não existiria diferença nenhuma a não ser no Natal e no Ano Novo,
isto para os católicos porque para as outras religiões seria algo equivalente
como é óbvio. Talvez ceda ao Dia da Mãe e Dia do Pai, para os meninos na escola
poderem continuar a fazer aquelas prendinhas de bricolagem para oferecer aos
papás e mamãs.
Sei que
pouco importa a minha opinião até porque deve corresponder a mais um
pequeníssimo nicho, e sobre o mesmo muitas me chamariam de desmancha-prazeres
ou “estragadora de festas”.
Em
relação aoDia Internacional
da Mulher, alguém sabe a sua origem? Alguém se deu ao trabalho de averiguar
(?) ou é mais giro e romântico ficar com a ideia pré-concebida de que, ah e tal
o dia da mulher é porque somos todas muito queridas e muito fofinhas, e depois
engravidamos e damos à luz e somos mães, e somos muito trabalhadoras,
conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e sofremos imenso porque usamos
saltos altos e partimos uma unha e não temos nada de jeito que vestir e achamos
que estamos sempre gordas e, e, e… e muitos mais e… mas o mais derradeiro é que
somos mesmo as maiores e depois somos exploradas pelos homens que são uns
malandros mas andamos sempre atrás deles na mesma. Por isto tudo e por nada
este dia que tem apenas a ver comdireitos
econquistas
sociais, políticas eeconómicas
das mulheres, muitas aproveitam este
dia para tentarem imitar os tais homens que elas tanto criticam, festejando de
forma absolutamente ridícula, algumas bebendo até cair, ou fazendo figuras
patéticas a ver desfiles de strip.
Este Dia Internacional da Mulher nada mais é que o modo feminino do Dia do Trabalhador e nasceu a partir de manifestações de mulheres
na Rússia em 1917, que tinham a ver com exigência de melhores condições de vida
e trabalho e contra a entrada da Rússia czarista na Primeira
Guerra Mundial.
A ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde
os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e
na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de
vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.
Em 1975, foi designado pela ONU como o Ano
Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, oDia Internacional da Mulherfoi adoptado pelas Nações Unidas, para
lembrar as conquistassociais,
políticas e económicas das mulheres.
Dia Internacional da Mulher
Portanto a origem deste este dia, nada tem a ver com o tom
romanceado, comercial e cheio de pretextos que lhe dão ou tentam atribuir.
É evidente que a mulher continua a sofrer de descriminação em
termos laborais e não é com um dia como o Dia Internacional da Mulher que isso
vai ser alterado; medidas concretas para anular por completo as diferenças
salariais e de igual oportunidade, por mérito, para ambos os géneros seria a verdadeira
conquista, mas essa, estará ainda por chegar sabe-se lá quando, é de todo, algo
que considero importante apesar de não ser feminista, e gostaria de um dia poder ter o prazer de celebrar.
Não gosto nem de longe nem de perto, quando algo é iniciado
por uma razão e depois degenera para algo completamente diferente porque é
demagogicamente agradável aos ouvidos e aos olhares de uma sociedade, que se
deslumbra por ilusões e cede facilmente a campanhas comerciais que se repetem por “seculum
seculorum”.
Creio com
convicção que as mulheres e os homens têm o seu valor que têm na sociedade e
nas famílias; cada um igual a outro que é genericamente diferente, e por tudo
isto o dia da mulher é todos os dias, (passe o pleonasmo) assim como o dia dos
homens! Todos os dias temos o direito, a obrigação e dever de conquistarmos
algo mais, darmos um passo mais além, de não nos acomodarmos e enterrarmos nos
sofás da vida sem nada fazermos para sermos melhores, mais transparentes,
responsáveis, lutadores, amigos e de
alguma forma fazermos a diferença sendo autênticos e derradeiramente felizes
com o que o universo nos retribui a cada dia.
Tem estado na moda fazer previsões, sondagens e estatísticas por
tudo e por nada, para todos e mais alguém ou talvez apenas para inglês ver ou
apresentar trabalho?
Como por vezes acredito (um
bocadinho) na teoria da conspiração, acho que muitas vezes é mesmo para
influenciar o “pessoal” que é preguiçoso em pensar e discernir por si, e que
pelo tanto, qualquer resultado das ditas previsões,
sondagens e estatísticas é o suficiente para os impressionar e convencer que
aqueles dados correspondem a verdades absolutas. Não devia afirmar isto? É algo
que todos sabem mas não dizem em voz alta? É politicamente incorrecto dizê-lo? Pois…eu
não estou a dizer, estou a escrever!
Na verdade, previsões correspondem
apenas a cálculos ou conjecturas que podem ser influenciadas momentaneamente
por factores diversos.
O que é bom agora, e vice-versa, poderá não
sê-lo amanhã.
Mas como se não bastasse tentarem
ludibriar com as ditas previsões, sondagens
e estatísticas a rodos, logo a seguir vêm as análises com as mais variadas
opiniões e a respectiva catalogação com rótulos, marcas, designações e afins,
dos mais diversos universos de opinantes, também eles catalogados e etiquetados
de analistas das vários tendências politicas que mais parecem pertencer a
figuras do código de estrada que se vão colocando em diferentes gavetas e
gavetinhas.
Eu sou do tempo, não, não é para
repetir a frase da publicidade do Hipermercado Continente, é mesmo para dizer
que eu ainda sou do tempo da ditadura e nessa altura não era permitido tecer
opiniões relativas a assuntos políticos ou outros que fossem injuriosos ou
atentassem contra uma sociedade de bons costumes que era então a sociedade
portuguesa.
Entretanto passámos para o outro
extremo: de tudo se dizer sem respeitar nada nem ninguém e pensar que a nossa
verdade é mais verdadinha do que a dos outros. Do tipo: - as minhas previsões, sondagens e estatísticas é
que são, é que valem e todos os outros que demonstram o contrário...(impropérios,
impropérios e mais impropérios)…
Guardei para o fim deste já longo
escrito os estudos, sim os estudos estão na moda também.
No outro dia li sobre um estudo realizado nos últimos 10 anos
(2003-2013) repito por extenso - dez anos, em que o sorriso dos portugueses foi
analisado. No estudo “Uma Década de
Sorriso em Portugal” concluiu-se que os portugueses
têm vindo a sorrir menos.
Menos(?!...) Como alguém comentou
numa das publicações online: - a mim não me contactaram! Pois eu diria que a
mim também não.
A conclusão do estudo foi baseada na visualização e
análise de quase 400 mil fotografias publicadas na imprensa portuguesa. Ora
aqui está um erro crasso, tendencioso ou o quê?
A imprensa portuguesa já é de
maneira geral sisuda, e tende muito para o lado da desgraça e do desgraçadinho,
portanto se tivessem utilizado por exemplo as fotografias do Facebook o
resultado seria garantidamente muito diferente. Mas isto, sou eu a dizer, que
sorrio e rio até a chorar.
Não é por esta minha
opinião(zinha) que não acredito na utilidade de previsões, sondagens,estatísticas
e estudos. Não, de todo que não! Constituem excelentes ferramentas de
trabalho quando usadas e interpretadas de forma séria, construtiva e não tendenciosa.
Aliás, eu própria, moi même, sou autora de folhas de cálculo em Excel que dão
uma trabalheira mas também um jeitão enorme para definir metas, orientações e perspectivas,
mas não passam disso mesmo, porque no fim do “jogo” surgem as correções que
inevitavelmente têm de ser ajustadas à realidade.
Como estamos mesmo no início de
um novo ano, gostaria muito que os portugueses durante 2014 se emancipassem e aprendessem
a discernir por si próprios para que possam vivenciar a sua realidade ajustando-a
às suas próprias e únicas folhas de cálculo, porque de suposições daqueles senhores
que mais parecem figuras ou direcções do código de estrada, só aos próprios beneficia,
só aos próprios lhes faz bem.
Algumas semanas atrás foi-me dado o grato prazer de ouvir um arranjo
musical deste tema “Young and Beautiful” de Lana Del Rey que não irei aqui
partilhar por fazer parte de uma composição longa e com outras músicas, um
chamado DJ Set.
Casualidade ou não, no dia anterior, numa longa viagem de carro, havia
ouvido o tema original, o qual, como sempre o faço quando viajo sozinha - cantarolei como se não houvesse amanhã, dando também como me é habitual muita
importância à lírica.
Young and Beautiful
Já conhecia o tema, e gosto dele desde a primeira vez que o ouvi, no
entanto, desta vez ficou-me mais no ouvido quiçá pela mensagem que o comentário
do locutor de rádio transmitiu e me fez meditar.
O dito locutor disse algo no sentido de ridicularizar as preocupações de
Lana Del Rey e das mulheres em geral, que segundo ele deveriam ter mais em que
se preocupar. Ou seja, equiparando a mensagem ou melhor a pergunta premente na
lírica da música com o partir uma unha, por exemplo.
Opiniões e preocupações são únicas e legítimas de cada um e eu prefiro
não as discutir, inflacionar ou minimizar, até porque também tenho as minhas,
mas de facto fiquei a pensar mais no tema.
Mas voltando ao início, montando melhor o cenário do enquadramento de
como ouvi o tal arranjo musical que quase me deixou viciada neste tema, eis que
depois da tal longa e cansativa viagem, levando como companhia apenas a música
da rádio, largas horas de trabalho físico me aguardavam no dia seguinte, algo
habitual na minha rotina.
O objectivo era conseguir terminar a tempo para uma pausa ao Sol, com
banhos de piscina intercalados, para refrescar e ajudar a relaxar os músculos
cansados, e a alma exausta.
Meta conseguida, uma vez deitada numa confortável espreguiçadeira forrada
pela minha amiga toalha azul (tinha de ser…), fecho os olhos e ouço o tema que
me levou a reflectir em situações muito interessantes da minha vida de um
passado recente e que para mim ficaram para a eternidade.
Como o tema foi muito apreciado não só por mim, foi colocado em replay
durante bastante tempo, dando-me a oportunidade de depois de o ouvir de olhos
fechados, o dançar dentro de água, coreografado aleatoriamente, fazendo parecer
um daqueles bailados de danças contemporâneas aquáticas.
Foi relaxante, foram momentos muito agradáveis que ficam na memória de
quem como eu, agradece a dádiva da vida de uma forma muito simples.
Mas afinal e a pergunta de Lana Del Rey e a música?
Para além de esta música ter uma
sonoridade poderosa que penso dar ainda mais profundidade à letra, onde é evidente que o acompanhamento de
orquestra ajuda… creio que a pergunta de Lana é muito pertinente para uma
mulher com a sua beleza e juventude.
Penso que a juventude e beleza física são algo importante e ao qual se dá
mais valor até se conhecer o outro lado que está para além do olhar aparente de
qualquer um.
A empatia existente nos laços afectivos, uma vez preenchidos por uma química
única, serve de selo dourado de garantia nas relações que vão para além do
tempo de qualquer jovem e belo, seja ele homem, seja mulher, até porque bem ao
contrário do que o locutor proferiu, nem só as mulheres têm este tipo de
preocupação; mas esta é apenas a minha humilde e mera opinião.
O busílis, é que nem sempre se consegue o tal selo dourado, e daí surgem
as dúvidas e preocupações como a que Lana Del Rey transmite no seu belíssimo
tema Young and Beautiful.
Deixo-vos agora com o vídeo do original de Lana Del Rey, e para quem como
eu, gosta de seguir a lírica, aqui vai não só a original em inglês, como a
tradução para português, feita por mim.
Note-se que esta tradução corresponde apenas ao que achei mais adequado
segundo o raciocínio da lírica, nunca intencionada no entanto, para a encaixar
na música, que para isso seria necessário um outro tipo de trabalho.
Young And
Beautiful
I’ve seen the world, done it
all
Had my cake now
Diamonds, brilliant
In Bel Air now
Hot summer nights, mid July
When you and I were forever
wild
The crazy days, the city
lights
The way you’d play with me
like a child
Will you still love me
When I’m no longer young and
beautiful?
Will you still love me
When I’ve got nothing but my
aching soul?
I know you will, I know you
will
I know that you will
Will you still love me when
I’m no longer beautiful?
I’ve seen the world
Lit it up as my stage now
Chaneling angels in a new age
now
Hot summer days, rock'n roll
The way you play for me at
your show
And all the ways I got to know
Your pretty face and electric
soul
Will you still love me
When I’m no longer young and
beautiful?
Will you still love me
When I’ve got nothing but my
aching soul?
I know you will, I know you
will
I know that you will
Will you still love me when
I’m no longer beautiful?
Dear Lord, when I get to
heaven
Please let me bring my man
When he comes, tell me that
you’ll let him in
Father, tell me if you can
All that grace, all that body
All that face makes me wanna
party
He’s my sun, he makes me shine
Like diamonds
And will you still love me
When I’m no longer young and
beautiful?
Will you still love me
When I’ve got nothing but my
aching soul?
I know you will, I know you
will
I know that you will
Will you still love me
When I’m no longer beautiful?
Will you still love me
When I’m no longer beautiful?
Will you still love me
When I’m not young and
beautiful?
Jovem e Bela
Vi o mundo,
fiz de tudo
Já tive a
minha parte
Diamantes,
brilhantes
Em Bel Air
Noites
quentes de verão, meados de julho
Quando éramos
sempre selvagens
Dias loucos,
as luzes da cidade
Como
brincavas comigo como uma criança
Ainda me
amarás
Quando não
for mais jovem e bela?
Ainda me
amarás
Quando não
tiver nada mais que a alma dolorida?
Eu sei que
irás, eu sei que irás
Eu sei que irás
Irás amar-me
quando já não for bela?
Vi o mundo
Iluminei-o
como meu palco
Canalizando
anjos em nova era
Dias quentes
de verão, rock'n roll
A maneira
como tocavas para mim no teu show
E todas as
maneiras que conheci
Teu lindo
rosto e alma eléctrica
Ainda me
amarás
Quando não
for mais jovem e bela?
Ainda me
amarás
Quando não
tiver nada mais que a alma dolorida?
Eu sei que
irás, eu sei que irás
Eu sei que irás
Irás amar-me
quando já não for bela?
Querido Senhor,
quando chegar ao céu
Por favor,
deixe-me trazer meu homem
Quando ele
vier, diga-me que o deixará entrar
Pai, diga-me
se puder
Toda aquela
graça, todo aquele corpo
Todo aquele
rosto me faz querer celebrar
Ele é o meu Sol,
ele me faz brilhar
Como
diamantes
E tu ainda
me amarás
Quando eu
não for mais jovem e bela?
Tu ainda me
amarás
Quando não
tiver nada mais que a alma dolorida?
Eu sei que
irás, eu sei que irás
Eu sei que
tu irás
Tu ainda irás
amar-me
Quando eu
não for mais bela?
Tu ainda
irás amar-me
Quando eu
não for mais bela?
Tu ainda irás
amar-me
Quando eu
não for jovem e bela?
Que todos encontrem e guardem o tal "selo dourado"!
Hoje apeteceu- me ouvir de novo "Esse Olhar Que Era Só Teu" dos DeadCombo e meditei
um pouco sobre o que me transmite.
Este tema musical diz tudo sem qualquer necessidade de
lírica. De facto, todo o olhar é único e intransmissível, mas
absorvê-lo, compreendê-lo e transmiti-lo de forma abrangente é ainda mais único
e excepcional.
Este tema"Esse Olhar Que Era
Só Teu" dos Dead Combo é sem dúvida tudo isso.
Para quem não conhece este grupo de Lisboetas que transpira talento
musical, aqui vai uma citação da Wikipedia:
Os membros conheceram-se em 2001, quando
no final de um concerto, Tó pediu boleia a Pedro sem saber que este não tinha
carro. Foram então ambos a pé até aoBairro Altoe, no meio da conversa, surgiu a ideia de gravarem um álbum em tributo ao
génio da guitarra portuguesa,Carlos Paredes.
Hoje lembrei-me deste tema "Esse Olhar Que Era Só Teu" dos Dead Combo porque me
arrepia no bom senso do seu significado através do transporte imaginário a
outras tempos, a outras eras.
Sou Lisboeta, e ao ouvir este tema,
apesar de não ser normalmente saudosista, sinto, além da emoção, uma saudade de
Lisboa dos tempos em que lá nasci e vivi.
A música, "Esse Olhar Que Era
Só Teu", transmite-me os cheiros a Lisboa que são uma mistura de mar, manjericos, as
flores à venda na Praça da Figueira, peixe fresco na brasa e pastéis de nata a
sair do forno, com canela, e as emoções da Lisboa dos pregões, das tascas, das esplanadas
cheias em noites de Verão, das tertúlias, do Parque Eduardo Sétimo
(meu parque preferido para o passeio de domingo), da Feira Popular, da Fonte
Luminosa em pleno funcionamento, dos Cacilheiros, do Fado e do génio da
guitarra Carlos Paredes.
Carlos Paredes cujo talento lhe corria literalmente nas veias porque lhe foi geneticamente
transmitido pelo seu pai Artur Paredes, foi amigo de meu pai quando eram
jovens.
Segundo meu pai, uma das suas escapadelas
de jovens era para os lados da serra de Sintra, onde o Carlos Paredes dava aso ao seu talento tocando para os
amigos, a guitarra que levara escondida dentro da gabardina, para que a sua mãe
não lhe ralhasse por considerar aquilo um acto leviano e de perda de tempo. Mal sabia, então, a senhora mãe de Carlos Paredes que o seu filho seria um génio admirado e seguido por tantos, sabe-se lá
por quantas décadas.
Deixo-vos a ouvir "Esse Olhar Que Era Só Teu" dos Dead Combo, na certeza que, mesmo os não Lisboetas
irão gostar, e sentir pelo menos um cheirinho do Portugal simples
e genuíno que ainda hoje existe apesar da globalização.
Há
dois dias tivemos a afamada Super-Lua Cheia a fazer-nos correr
de máquina fotográfica em punho para captarmos as melhores fotografias.
O fenómeno acontece uma vez por ano, quando a fase
de Lua Cheia ocorre perto do perigeu, ponto da
órbita da Lua mais próximo da Terra. No entanto, neste domingo passado, o
tamanho e o brilho da Lua Cheia foi ainda maior, diz-se que
mais 14%, o que apenas se repetirá dentro de 18 anos.
Apaixonada
pela Lua como eu sou, coleccionadora-mor de fotografias de
sua excelência e de uns quantos escritos sobre a mesma,
confesso que a olho-nu, pelo menos, pelas minhas paragens. não lhe consegui medir
os tais 14% a mais do normal. Confesso também que as fotografias que tirei não
ficaram nada de especial.
De
repente ouvi a canção do Frank Sinatra, Fly me to the Moon de
1964 a tocar incessantemente na minha cabeça e senti-me a voar daqui até mais
além! Entretanto fui verificar se havia alguma gravação com alguma qualidade e
aqui está uma delas.
Voar
até à Lua é que era! Mas fico apenas a ouvir a música que também é fantástica.
Os Cursos de Escrita Criativa ou Workshops estão na moda.
Nunca frequentei nenhum desses cursos ou workshops portanto não poderei opinar sobre a sua eficácia; imagino que serão úteis a
quem faça da escrita profissão.
Serei certamente criticada ao
dizer que não aprecio muito os textos literários pela sua densidade, muito
apesar de lhes reconhecer a sua grande riqueza e importância para a cultura literária,
mas é a minha opinião e preferência, apenas isso. Sempre que posso opto pela
leitura de um texto de escrita criativa
pela sua leveza.
Não sei onde se enquadrará a
minha escrita, mas na verdade gosto
de escrever de forma fluída seguindo apenas as regras básicas gramaticais e de pontuação.
Quanto ao resto, sigo o que o meu cérebro me vai ditando no momento, e isso
pode ser muito influenciado por diversos factores que apesar de serem externos,
me podem dominar quase que avassaladoramente o estado de espírito que dirige o meu
pensamento “escritor”.
Comecei a sentir o gosto pela escrita por volta dos 15 anos quando me
foi oferecido um daqueles diários todo bonitinho com fechadura e chave dourada.
Não sei o que terá acontecido a esse diário, e nem escrevi muito nele, mas creio
que serviu para despertar a curiosidade.
Escrevi imenso para a gaveta, com
as mudanças, muitos dos meus textos, amarelecidos com o tempo, andarão
espalhados por algumas arrecadações.
Um dia, decidi enviar um poema
para a Revista Evasões, já lá vão uns bons pares de anos e achei engraçado terem
publicado o dito.
Passados alguns anos, mais
concretamente em 2008, iniciei-me aqui neste blog inserindo alguns dos escritos
que tinha já guardado em computador, alguns desde 2002 creio eu.
Comecei a achar muita graça ao verificar
que me liam desde a Rússia, à China, à India e aos Estados Unidos. Curiosamente,
ainda hoje, mais de metade dos meus leitores são dos Estados Unidos da América.
Achei interessante ouvir um poema
meu ser recitado por alguém num auditório, num evento público, e penso que foi
aí que pensei que não devia parar.
Vou pois continuar a fazê-lo com duas
convicções, (1) sem qualquer tipo de pretensão sobre a qualidade da escrita, e (2) fazer algo que me dá
muito gosto ao mesmo tempo que o posso continuar a partilhar com pessoas tão
distantes mas separadas apenas por um clique.
Mais uma Páscoa há porta e quem quer abre-a; quem não sabe ou não
quer, fica apenas à volta da mesa dos comes e bebes.
Respeito quem não sabe, ou não
tem forças para abrir a porta que
por vezes é pesada e está meio encravada e perra.
Já estive assim, tinha uma porta
com as fechaduras enferrujadas e levei tempo a conseguir abri-la.
Um dia tive forças e escancarei a
porta celebrando a Páscoa de forma renovadora e diferente.
Penso que o problema está no medo
do desconhecido, há demasiadas pessoas a padecer desse mal. Preferem ficar enclausurados,
estagnados na irremediável rotina, que romper com ela, abrir a porta e sair correndo rumo a um futuro
melhor.
Também já saltei pela janela, para
não deixar escapar o momento oportuno e seguir outro caminho.
Quando me refiro a um futuro
melhor, é o do sentido da vida plena, não o do sentido da vida materialista
onde o dinheiro é rei.
O sentido da vida plena requer um nível de espiritualidade (não tem
a ver com religião) que vai-se desenvolvendo e aperfeiçoando ao longo do
caminho que decidimos percorrer.
Esse nível de espiritualidade só se consegue começar
a apurar a partir daquela Páscoa em
que decidimos abrir a porta ou janela e sair correndo respirando um ar novo e renovador,
cheio de silêncios que nos permitem ouvir a alma.
Celebrar a Páscoa entendendo que o seu significado é a Renovação faz sentido, e é dever de qualquer cristão, mas privilégio, apenas, para os que lhe abrem a porta.
Estilos de Escrita, Ghost Writing vs. Autenticidade e Autoria
E o Novo Acordo Ortográfico
Esta coisa da escrita tem muito que lhe diga.
Eu que gosto muito de fazer as coisas à minha maneira, uma irreverência minha, ninguém é perfeito
(!...); não aderi e não vou aderir ao novo
acordo ortográfico.
Não, não sou anarquista, simplesmente tenho uma cabecinha
pensadora que consegue discernir o que é útil e o que é disparate. Nesta idade
não vou certamente gastar os neurónios em disparates, tenho coisas bem mais
interessantes para aprender e fazer.
No caso do novo
acordo ortográfico, é um autêntico disparate que não serve para mais nada
senão gastar-se dinheiro, que poucos poderão ter em abundância para fazer
alterações em tudo que envolve escrita em língua portuguesa. Só por curiosidade
gostaria de saber esses números…mas enfim é mais uma daquelas coisas que me
irritam sem que nada possa fazer.
Posso, no entanto, dizer que se em 2015 for obrigatório,
passo a escrever noutra língua ou então como diz a canção “Chamem a Polícia”
porque eu não vou alterar nadinha.
Mas enfim, pensei escrever sobre a escrita não propriamente sobre o acordo ortográfico mas sim sobre estilos, autenticidade e autoria.
Na área da escrita em regime de freelancing fui “aliciada”
para escrever como “GhostWriter”, que em português é algo como
"Escritor Fantasma", e estou assim como que entre as dez e as onze.
Para já, não gosto nada do nome que lhe dão, cá para mim os
fantasmas devem ser deixados em paz e sossego e tenho-lhes muito respeito, por
isso não me apetece escrever em nome de nenhum.
Depois, e aqui vem de novo a irreverência; ora se estou a escrever em nome de outra pessoa vou
ter de seguir as suas regras que serão certamente diferentes das minhas. Para
mim a escrita tem impressões digitais.
Gosto muito da minha escrita criativa e sem-cerimónias, a
não ser que esteja a escrever uma carta ou um documento específico que assim o
exija, pelo menos nesta área sinto que sou eu que mando com as minhas autênticas impressões digitais.
Por fim, mesmo que escreva muito disparate, assino-o sempre,
no entanto se for o tal “escritor fantasma” de alguém, tenho de me remeter ao
esconderijo dos escritores fantasmas,
a menos que o façam num Resort nas Ilhas
Fidji, em que eu possa estar a escrever com os pezinhos de molho em águas
cálidas e cristalinas, sentada no rebordo da varanda da minha cabana privada,
acho que não, acho que não vou aceitar.
Ainda vou pensar, mas cada um tem as suas condições, hum…não
sei não, mas as Ilhas Fidji até sabiam bem para contrastar a chuva que persiste
e insiste neste nosso rectângulo à beira–mar muito frio.