Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Sempre

Há que dar ao tempo
A distância no tempo
Para que aquele tempo
Seja generoso
E volte a tempo
De aprender
Que qualquer tempo
Tem um fim.

Gina
12.4.2012

Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

Desdito

Espreitava à noite
E nada via
Escutava de dia
E nada ouvia.

Num amanhecer,
Um vulto, um sussurro
Surgiam no horizonte.
Pareciam sincronizados
Nos seus sentidos
Que há muito
Se tinham tornado desditos.

O vulto e o sussurro
Pareceram aproximar-se
Dirigir-se a si
Sem definição
Sem amplificação
Apenas constantes
Lentos e ondulantes.

O seu coração acelerou
Em progressão,
Quase parando por  arrastão
Quando o vulto o trespassou
De nada ver,
E o sussurro o ensurdeceu
De nada dizer.

Gina
23.12.2011


Domingo, 30 de Outubro de 2011

Uma página solta

Naquele tempo, bem ao contrário de hoje, o tempo livre não só parecia ser mais longo como mais relaxante.
Sentada num nicho da faustosa sala de jantar com janela para o jardim naquela imensa casa, propriedade da Menina Amelinha Caldas, bebia-se chá de Moçambique em chávenas de porcelana fina.
Era um ritual de Verão, porque as tardes convidavam ao sabor do chá, à meditação e ao ouvir música clássica na Emissora Nacional.
Daquela casa, que fazia esquina no início da Calçada dos Mestres e que ocupava os números 1, 3 e 5 em Campolide não existe absolutamente nada. Foi tudo reduzido a pó.
Assim que a Menina Amelinha Caldas morreu aos 103 anos em 1960, os primos herdeiros venderam toda a propriedade que não só era constituída por aquela casa como também por várias outras anexas incluindo a nº 7 logo ao lado, onde eu vivia; para serem todas demolidas.
Ficaram as memórias, quase fotográficas, de episódios absolutamente invulgares para a felicidade de uma criança que ali viveu apenas até aos sete anos.
Do olhar pela janela até ao infinito num fim de tarde, do beber chá saboreando-o em mínimos goles, do ouvir Bach em completo silêncio, do meditar para me ouvir, ficou tudo e muito, muito mais.
Um dia hei-de escrever mais, páginas soltas, sobre memórias desses dias que representam vivências bem diferentes das de hoje, que são minhas porque eu as escolhi e guardei.

Gina
30.10.2011

Quarta-feira, 31 de Agosto de 2011

A porta

Na penumbra e no silêncio
Procurei,
Esperei pela resposta.
Hesitante,
Fechei a porta.
Aguardei um pouco,
Mais e mais.
De impulso,
Abri a portada da janela
E saltei.
Abri os olhos à luz do Sol
Deixando-me levar
Pelos sentidos,
Pelas emoções.
Segui
Prado fora
Sem resposta
Destino
Condição
Razão
Ou qualquer papão.


Gina
20.8.2011



Terça-feira, 9 de Agosto de 2011

Que Tempo


Há muito que não passava por aqui partilhando  palavras antes que o vento as levasse.
Foram muitas as que foram levadas nas  enchurradas que me inundaram.
O tempo amainou.
Agora há que dar  tempo para  novas palavras começarem a soltar-se, num  novo tempo,  que hei-de aprender  a  reservar só para mim.


8.8.2011
Gina